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Ataque contra casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini

Status: 
Displaced
Sobre a situação

Na madrugada de 1º de maio de 2026, um grupo de sete pessoas não identificadas e armadas invadiu a casa do casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini e os mantiveram refens por horas. O grupo incendiou e destruiu as instalações de energía e comunicação, destruindo grande parte da estrutura da casa e dos equipamentos de trabalho utilizados por eles para defesa e monitoramento ambiental. Alcione e Marcos conseguiram escapar do ataque e, desde então, não conseguiram retornar à sua casa. Um mês após o primeiro ataque, em 5 de junho, os defensores souberam, por denuncia anónima , que sua casa havia sido incendiada novamente e completamente destruída.

Sobre

Alcione F. Correa é engenheira, defensora de direitos humanos e ambientalista. Sua trajetória sempre esteve associada a defesa das águas. Por meio dos conhecimentos adquiridos ao longo de sua carreira e trajetória, ela tem buscado a proteção da biodiversidade e das fontes hídricas da Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, no estado da Bahia, o que constitui sua missão de vida. Além disso, ela tem promovido a articulação em nível comunitário com os moradores da Serra para a defesa da natureza.

Em seu abrigo de montanha, a Toca do Lobo, Alcione e seu esposo Marcos iniciaram um trabalho de ciência cidadã, que abriram as portas para inúmeras pesquisas. Pelos trabalhos ligados aos valores de educação ambiental, conservação e pesquisa receberam o reconhecimento e título de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, vinculado a UNESCO.

Frente as pressões da mineração, especulação imobiliária e grilagem que ameaçam o abastecimento de água de milhões de pessoas, atua pela a criação de uma unidade de conservação de proteção integral para blindar a Serra da Chapadinha, área de recarga hídrica do Rio Una, principal afluente do Rio Paraguaçu, que abastece dezenas de municípios no semiárido altamente suscetíveis aos impactos da emergência climática, bem como a região metropolitana de Salvador, incluindo a capital Salvador.

No entanto, Alcione Figueiredo e Marcos Fantini têm enfrentado ameaças e pressões por parte de empresas de mineração e do setor imobiliário que buscam se apropriar ilegalmente de terras da Serra Chapadinha e explorar seus bens naturais.

“A arma não estava só na minha cabeça, ela estava na cabeça de todo mundo que é ligado à proteção ambiental e à sobrevivência humana. Porque em pleno colapso climático, nós estamos lutando pela água de milhões de pessoas”

1 Julho 2026
Ataque contra casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini

Na madrugada de 1º de maio de 2026, um grupo de sete pessoas não identificadas e armadas invadiu a casa do casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini e os mantiveram refens por horas. O grupo incendiou e destruiu as instalações de energía e comunicação, destruindo grande parte da estrutura da casa e dos equipamentos de trabalho utilizados por eles para defesa e monitoramento ambiental. Alcione e Marcos conseguiram escapar do ataque e, desde então, não conseguiram retornar à sua casa. Um mês após o primeiro ataque, em 5 de junho, os defensores souberam, por denuncia anónima , que sua casa havia sido incendiada novamente e completamente destruída.

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Alcione Figueiredo Correa é engenheira e ambientalista. Sua trajetória na defesa dos direitos humanos tem estado especialmente ligada à defesa da água e da natureza. Desde 2019, ela trabalha na proteção da biodiversidade e das fontes de água da Serra Chapadinha, na Chapada Diamantina, no estado da Bahia. Marcos Fantini é advogado de direitos humanos e ambientalista. Ele tem promovido a proteção da Serra da Chapadinha, principalmente denunciando atividades ilegais de mineração na região aos órgãos responsáveis e impulsionando o reconhecimento jurídico da Serra da Chapadinha como uma unidade de conservação de proteção integral. Alcione Figueiredo e Marcos Fantini administram um centro de turismo ecológico chamado Toca do Lobo, onde promovem pesquisas sobre biodiversidade e atividades de educação ambiental, e que também funciona como um hostel ecológico. Eles também atuam como guardas florestais da Serra, onde protegem sua biodiversidade e fontes hídricas por meio do cuidado com o território e suas espécies.

Alcione F. Correa e Marcos Fantini realizam atividades de monitoramento e pesquisa científica sobre a biodiversidade e geodiversidade da região por meio de ações promovidas em seu centro de turismo ecológico, o que os tornou um posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica da UNESCO no Brasil, por ser uma zona de conservação da biodiversidade, desenvolvimento sustentável e promoção de conhecimentos científicos e tradicionais. Desde 2023, Alcione e Marcos fazem parte do movimento “Salve a Serra da Chapadinha”, que, junto com pessoas e comunidades da região, luta para transformar a zona em uma área protegida. Recentemente, o movimento conseguiu que o governo estadual da Bahia abrisse uma consulta pública para que a Serra da Chapadinha se tornasse uma área protegida denominada Refúgio de Vida Selvagem, o que proibiria qualquer atividade degradante na região.

A Serra da Chapadinha possui uma das fontes hídricas mais importantes do Brasil, que, por meio do rio Paraguaçu, abastece cerca de 80 municípios do estado da Bahia e 60% da capital do estado, Salvador, e abriga uma grande diversidade de flora e fauna, parte da qual se encontra em risco de extinção. O território é disputado por diversos interesses econômicos, como empreendimentos minerários e grupos do setor imobiliário, que buscam se apropriar ilegalmente das terras para explorar seus recursos naturais, especialmente os minérios.

No ataque sofrido por Alcione e Marcos no início de maio, homens armados os ameaçaram e ameaçaram a atear fogo à casa deles para forçá-los a sair. O casal de ambientalistas ficou retido por horas pelo grupo, sofrendo uma série de ameaças e atos de violência. Entre as ameaças recebidas, os indivíduos acusaram Alcione Figueiredo e Marcos Fantini de impedir o progresso de Chapadinha ao impedir que empresas e empreendimentos de mineração se instalassem na região. Nesse ataque, também destruíram toda a infraestrutura energética da propriedade, alimentada por painéis solares e baterias, além de quebrar e queimar computadores, câmeras, discos rígidos e rádios utilizados também para seu trabalho de monitoramento ambiental. Devido às ameaças e às condições materiais, o casal de ambientalistas foi forçado a se deslocar e buscar refúgio por conta própria. No inicio de junho, eles tomaram conhecimento de um novo incêndio e destruição das edificações que chamou sua atenção por ter como foco a placa que identificava a Toca do Lobo como um posto avançado reconhecido pela UNESCO.

Esses ataques criam um ambiente de medo e intimidação na região e geram um clima de insegurança para a defesa ambiental, em um momento importante em que a consulta pública aberta pelo governo da Bahia precisa de participação social para que o projeto de reconhecimento da Serra da Chapadinha como área protegida possa avançar de acordo aos interesses da população local.

A Front Line Defenders condena os ataques violentos contra os defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Correa e Marcos Fantini, e extende sua preocupação com a gravidade das ameaças que provocaram seu deslocamento forçado. Ressaltamos que a proteção integral de Alcione e Marcos é essencial, e que seu trabalho tem um impacto positivo na preservação da biodiversidade e do direito à água das comunidades da Bahia abastecidas pelas fontes hídricas da Serra da Chapadinha. O Estado deve disponibilizar todos os meios possíveis para a proteção de Alcione Correa e Marcos Fantini, bem como garantir a presença de órgãos institucionais adequados para assegurar a sua segurança e de todos aqueles que defendem a natureza e o território na Serra da Chapadinha.

A Front Line Defenders exorta as autoridades do Brasil a:

  1. Garantir proteção integral a Alcione Correa e Marcos Fantini, de acordo com suas necessidades, de forma coordenada e com recursos suficientes que garantam sua vida, segurança, integridade e continuidade de seu trabalho como defensores dos direitos humanos e ambientalistas. Isso inclui articular esforços interinstitucionais para garantir seu retorno seguro à Serra da Chapadinha;
  2. Realizar uma investigação transparente, diligente e esclarecedora sobre os ataques contra Alcione Correa e Marcos Fantini, que possa identificar e responsabilizar não apenas os autores materiais, mas também os mandantes intelectuais dos ataques contra Alcione Correa e Marcos Fantini e sua propriedade;
  3. Reconhecer publicamente o importante trabalho realizado pelos defensores dos direitos humanos e ambientalistas no Brasil e o impacto que esse trabalho tem na melhoria das condições de vida da sociedade;
  4. Garantir um ambiente seguro para a participação social nos processos de consulta à cidadania sobre temas ambientais, como no caso da consulta pública para transformar a Serra da Chapadinha em um Refúgio de Vida Selvagem;
  5. Cumprir suas obrigações relativas à proteção de defensores dos direitos humanos e da natureza, bem como fortalecer seu marco de proteção com a aprovação do Acordo de Escazú.