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Ataque contra casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini

Status: 
Displaced
Sobre a situação

Na madrugada de 1º de maio de 2026, um grupo de sete pessoas não identificadas e armadas invadiu a casa do casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini e os mantiveram refens por horas. O grupo incendiou e destruiu as instalações de energía e comunicação, destruindo grande parte da estrutura da casa e dos equipamentos de trabalho utilizados por eles para defesa e monitoramento ambiental. Alcione e Marcos conseguiram escapar do ataque e, desde então, não conseguiram retornar à sua casa. Um mês após o primeiro ataque, em 5 de junho, os defensores souberam, por denuncia anónima , que sua casa havia sido incendiada novamente e completamente destruída.

Sobre

Marcos Fantini é um advogado e defensor de direitos humanos e ambientais da Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, Bahia. Trabalha para proteger a biodiversidade e a segurança hídrica de mais de 60 municípios do semiárido baiano, incluindo 60% da região metropolitana de Salvador, incluindo a capital, que são abastecidos pelo Rio Paraguaçu, cujo principal afluente, o Rio Una, nasce na Serra da Chapadinha.

Marcos realizou inúmeras denúncias para órgãos públicos sobre pressões do setor minerario para especulação imobiliaria e aquisição de terras irregularmente na Serra da Chapadinha. Também tem impulsionado o reconhecimento jurídico da Serra da Chapadinha como uma unidade de conservação de proteção integral.

Em seu abrigo de montanha, a Toca do Lobo, Marcos e sua esposa Alcione iniciaram um trabalho de ciência cidadã, que abriram as portas para inúmeras pesquisas. Pelos trabalhos ligados aos valores de educação ambiental, conservação e pesquisa receberam o reconhecimento e título de Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, vinculado a UNESCO.

No entanto, Marcos Fantini e Alcione Figueiredo têm enfrentado ameaças e pressões por parte de empresas de mineração e do setor imobiliário que buscam se apropriar ilegalmente de terras da Serra Chapadinha e explorar seus bens naturais.

“Superamos o medo da morte com a nossa fé na causa e nossos ideais e estamos ainda mais fortes e convictos da nossa missão aqui”

1 Julho 2026
Ataque contra casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini

Na madrugada de 1º de maio de 2026, um grupo de sete pessoas não identificadas e armadas invadiu a casa do casal de defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Figueiredo Correa e Marcos Fantini e os mantiveram refens por horas. O grupo incendiou e destruiu as instalações de energía e comunicação, destruindo grande parte da estrutura da casa e dos equipamentos de trabalho utilizados por eles para defesa e monitoramento ambiental. Alcione e Marcos conseguiram escapar do ataque e, desde então, não conseguiram retornar à sua casa. Um mês após o primeiro ataque, em 5 de junho, os defensores souberam, por denuncia anónima , que sua casa havia sido incendiada novamente e completamente destruída.

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Alcione Figueiredo Correa é engenheira e ambientalista. Sua trajetória na defesa dos direitos humanos tem estado especialmente ligada à defesa da água e da natureza. Desde 2019, ela trabalha na proteção da biodiversidade e das fontes de água da Serra Chapadinha, na Chapada Diamantina, no estado da Bahia. Marcos Fantini é advogado de direitos humanos e ambientalista. Ele tem promovido a proteção da Serra da Chapadinha, principalmente denunciando atividades ilegais de mineração na região aos órgãos responsáveis e impulsionando o reconhecimento jurídico da Serra da Chapadinha como uma unidade de conservação de proteção integral. Alcione Figueiredo e Marcos Fantini administram um centro de turismo ecológico chamado Toca do Lobo, onde promovem pesquisas sobre biodiversidade e atividades de educação ambiental, e que também funciona como um hostel ecológico. Eles também atuam como guardas florestais da Serra, onde protegem sua biodiversidade e fontes hídricas por meio do cuidado com o território e suas espécies.

Alcione F. Correa e Marcos Fantini realizam atividades de monitoramento e pesquisa científica sobre a biodiversidade e geodiversidade da região por meio de ações promovidas em seu centro de turismo ecológico, o que os tornou um posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica da UNESCO no Brasil, por ser uma zona de conservação da biodiversidade, desenvolvimento sustentável e promoção de conhecimentos científicos e tradicionais. Desde 2023, Alcione e Marcos fazem parte do movimento “Salve a Serra da Chapadinha”, que, junto com pessoas e comunidades da região, luta para transformar a zona em uma área protegida. Recentemente, o movimento conseguiu que o governo estadual da Bahia abrisse uma consulta pública para que a Serra da Chapadinha se tornasse uma área protegida denominada Refúgio de Vida Selvagem, o que proibiria qualquer atividade degradante na região.

A Serra da Chapadinha possui uma das fontes hídricas mais importantes do Brasil, que, por meio do rio Paraguaçu, abastece cerca de 80 municípios do estado da Bahia e 60% da capital do estado, Salvador, e abriga uma grande diversidade de flora e fauna, parte da qual se encontra em risco de extinção. O território é disputado por diversos interesses econômicos, como empreendimentos minerários e grupos do setor imobiliário, que buscam se apropriar ilegalmente das terras para explorar seus recursos naturais, especialmente os minérios.

No ataque sofrido por Alcione e Marcos no início de maio, homens armados os ameaçaram e ameaçaram a atear fogo à casa deles para forçá-los a sair. O casal de ambientalistas ficou retido por horas pelo grupo, sofrendo uma série de ameaças e atos de violência. Entre as ameaças recebidas, os indivíduos acusaram Alcione Figueiredo e Marcos Fantini de impedir o progresso de Chapadinha ao impedir que empresas e empreendimentos de mineração se instalassem na região. Nesse ataque, também destruíram toda a infraestrutura energética da propriedade, alimentada por painéis solares e baterias, além de quebrar e queimar computadores, câmeras, discos rígidos e rádios utilizados também para seu trabalho de monitoramento ambiental. Devido às ameaças e às condições materiais, o casal de ambientalistas foi forçado a se deslocar e buscar refúgio por conta própria. No inicio de junho, eles tomaram conhecimento de um novo incêndio e destruição das edificações que chamou sua atenção por ter como foco a placa que identificava a Toca do Lobo como um posto avançado reconhecido pela UNESCO.

Esses ataques criam um ambiente de medo e intimidação na região e geram um clima de insegurança para a defesa ambiental, em um momento importante em que a consulta pública aberta pelo governo da Bahia precisa de participação social para que o projeto de reconhecimento da Serra da Chapadinha como área protegida possa avançar de acordo aos interesses da população local.

A Front Line Defenders condena os ataques violentos contra os defensores dos direitos humanos e ambientalistas Alcione Correa e Marcos Fantini, e extende sua preocupação com a gravidade das ameaças que provocaram seu deslocamento forçado. Ressaltamos que a proteção integral de Alcione e Marcos é essencial, e que seu trabalho tem um impacto positivo na preservação da biodiversidade e do direito à água das comunidades da Bahia abastecidas pelas fontes hídricas da Serra da Chapadinha. O Estado deve disponibilizar todos os meios possíveis para a proteção de Alcione Correa e Marcos Fantini, bem como garantir a presença de órgãos institucionais adequados para assegurar a sua segurança e de todos aqueles que defendem a natureza e o território na Serra da Chapadinha.

A Front Line Defenders exorta as autoridades do Brasil a:

  1. Garantir proteção integral a Alcione Correa e Marcos Fantini, de acordo com suas necessidades, de forma coordenada e com recursos suficientes que garantam sua vida, segurança, integridade e continuidade de seu trabalho como defensores dos direitos humanos e ambientalistas. Isso inclui articular esforços interinstitucionais para garantir seu retorno seguro à Serra da Chapadinha;
  2. Realizar uma investigação transparente, diligente e esclarecedora sobre os ataques contra Alcione Correa e Marcos Fantini, que possa identificar e responsabilizar não apenas os autores materiais, mas também os mandantes intelectuais dos ataques contra Alcione Correa e Marcos Fantini e sua propriedade;
  3. Reconhecer publicamente o importante trabalho realizado pelos defensores dos direitos humanos e ambientalistas no Brasil e o impacto que esse trabalho tem na melhoria das condições de vida da sociedade;
  4. Garantir um ambiente seguro para a participação social nos processos de consulta à cidadania sobre temas ambientais, como no caso da consulta pública para transformar a Serra da Chapadinha em um Refúgio de Vida Selvagem;
  5. Cumprir suas obrigações relativas à proteção de defensores dos direitos humanos e da natureza, bem como fortalecer seu marco de proteção com a aprovação do Acordo de Escazú.